sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Inaudita.

E quantas não foram as desilusões silentes
Caladas no fundo do peito
E guardadas pra sempre na memória
Tantas lágrimas vertidas sobre o frio travesseiro
Fiel amigo e confidente
Sempre que não houve um ombro amigo que a pudesse consolar.
De cedo acostumou-se com a quietude de seu mundo
Onde gritar foi sempre em vão
Em que a sua alma despida somente por seu pranto era vista
Fechou-se para tudo. Sorriu para todos.
Vestiu a máscara que lhe era imposta para sobreviver
Mas um dia sucumbiu. Caiu a última gota
E então, a enxurrada de lágrimas derramadas veio à tona
E disse tudo que um dia calou
Abriu-se para o mundo. Mas este não se abriu para ela
E voltou triste e cabisbaixa para sua redoma de vidro
De onde era-lhe permitido observar o mundo
Mas impossível emitir qualquer som audível
Que causasse uma mudança no curso dos acontecimentos
E chorou de novo.
Tanto que inundou a redoma, a máscara, as desilusões, e inundou as próprias lágrimas
E quando a maré de lágrimas veio a serenar
Ela foi tudo o que restou.
Limpa, sem máscara ou desilusões.
Ela e nada mais. Pura e simples como sempre quis ser.
...
E ainda assim, ninguém a percebeu. 

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